Um pouco de tudo e nada ao mesmo tempo.

O Google vem trabalhando há algum tempo no projeto Glass. Pra quem não conhece, trata-se de um dispositivo a ser adaptado em óculos, equipado com uma versão própria do Android, cujo objetivo é trazer a tecnologia pra mais próximo de nós.

O projeto já era comentado há algum tempo, mas foi apenas nesse ano que começamos realmente a ser inseridos no que realmente é possível ser feito, o que esperar e que ponto de desenvolvimento já foi alcançado, principalmente depois do Google ter liberado o vídeo a seguir, chamado “How it feels – through Glass”, ou, “Como se sente – através do Glass”.

No vídeo, é demonstrada a atual interface do dispositivo, que pode ser controlado através da voz ou de um touchpad na lateral. Temos também uma ideia das possibilidades, que vão desde a gravação de vídeos, fotos tudo feito da perspectiva do usuário, como também tradução e busca em tempo real e visualização de coordenadas GPS curva a curva (inclusive em uma pista de ski!). No meio do ano passado, o co-fundador do Google, Sergey Brin, disse à Bloomberg TV que os óculos não deveriam estar disponíveis aos consumidores antes de 2014, mas, segundo o The Verge, esses planos parecem ter sofrido alterações, e o Google pretende iniciar a venda do dispositivo ainda em 2013. O Glass deve chegar ao consumidor até o final do ano, custando menos de US$ 1500,00.

E as especificações técnicas?

Apesar de muito mistério sobre o aparelho, algumas de suas especificações técnicas já foram divulgadas: Ele terá 16gb (sendo aproximadamente 12 disponíveis para o usuário), e virá equipado com uma câmera de 5 megapixels, capaz de gravar vídeos em 720p.  A imagem gerada por ele terá resolução de 640×360, que o Google alega ser equivalente a um display de 25 polegadas a aproximadamente 2 metros de distância. Em termos de conectividade, será compatível com Bluetooth e WiFi 802.11b/g. Quando conectado a um aparelho Android 4.0.3 ou superior, o Glass passará ainda a contar com GPS e SMS. O mais interessante, porém, parece ser com relação ao áudio. Ele será transferido não por auto falantes, mas por vibração dos ossos auditivos, de forma que apenas o usuário poderá ouví-lo.

E quem já usou?

Além disso, mais detalhes começaram a aparecer, pois Joshua Topolsky, repórter do The Verge pode testar os óculos e começou a postar suas opiniões em um excelente artigo. Segundo o que ele destaca no artigo, o Glass parece ser como um artefato dos anos 60, em que alguém tenta imaginar como seria 2013. São confortáveis, de alto grau de qualidade no design. O dispositivo é composto de poucas partes, sendo a principal, um plástico de que abriga a cpu, bateria, e um contrapeso (que fica atrás da orelha). Há ainda uma tira  fina de metal que cria o arco dos óculos (já pensados para serem compatíveis com lentes de óculos reais, para quem necessita deles), e descanso padrão para apoiar no nariz, existente em óculos comuns. A primeira remessa estará disponível em cinco cores: Os tradicionais, Cinza, Branco e Preto, e para quem prefere algo menos discreto, laranja e azul. Segundo o Google, o desenvolvimento da cor foi bastante importante neste projeto, já que é esperado que as pessoas estejam com ele em seus rostos o tempo todo. Glass ColorsA maior parte da interação com o Glass é feita por meio da voz, com comandos começando com “Ok, Glass…”. Mas na lateral, existe ainda um touchpad, capaz de navegar por opções, com o deslizar do dedo para frente e para trás. A seleção é feita com um toque e deslizar para baixo ativa o “voltar”. A conexão é feita via WiFi no próprio aparelho, ou, em áreas sem Wireless, é possível compartilhar a conexão móvel de um Android ou iPhone via Bluetooth. O Glass não possui ainda um chip para conexão direta à rede celular, mas já possui um GPS integrado. Topolsky diz ainda que usar o Glass é basicamente ter a experiência exibida nos vídeos. As telas exibidas não são computação gráfica, mas sim exatamente o que o dispositivo apresenta ao usuário. Ele diz ainda que “A tela não é intrusiva, você não se sente sobrecarregado por ela. Está lá, e então se foi. Não é chocante. É apenas uma coisa nova em seu campo de visão. E é realmente muito legal.

Ainda segundo o artigo, o Glass faz todo tipo de coisa quando você diz: “ok, glass”. Mas, a que acredita-se que irá cativar a maioria das pessoas é a possibilidade de tirar fotos e gravar vídeos com a perspectiva de “eu estava lá”.  A comunicação com o Google também é direta, e ele responde à linguagem natural (por enquanto, em inglês) e traz resultados semelhantes àqueles já encontrados no Google Now do Android.

Problemas?

No Brasil, acredito que o grande problema a ser vencido é a baixíssima qualidade de nossas conexões móveis. Topolsky diz que alguns dos problemas que encontrou no dispositivo decorrem da falta de dados. Segundo ele, uma boa conexão é a chave para o aparelho funcionar corretamente, e nos momentos em que a conexão ficava lenta ou era perdida, o Glass ficava num estado quase não utilizável, mesmo ainda sendo possível tirar fotos e gravar vídeos.

foto tirada com glass

Foto tirada com o Glass e ambas as mãos livres

Além da falta de dados, outro problema que parece assombrar o Glass é a questão da privacidade. Como o dispositivo parece ser ótimo para fotos e vídeos, muito se tem discutido sobre as implicações de um mundo em que inúmeras pessoas estarão com câmaras em potencial no rosto o tempo todo. O próprio Google proibiu o uso do Glass em seu encontro anual com os acionistas. Claro que o que a princípio pode parecer muito estranho, é explicado pelo fato de terem sempre proibido o uso de qualquer equipamento capaz de fazer gravações em tais reuniões. Ainda assim, a aparente contradição levanta a questão do quanto isso pode modificar futuros comportamentos nos mais diversos ambientes quando o produto atingir as massas.

Aliás, será que o Glass irá realmente cair no gosto dos consumidores, ou se tornará apenas um produto de nicho? Segundo Topolsky, parece que ele realmente se tornará popular. Seguem suas palavras, numa tradução livre:

Ele já está pronto para todos? Realmente, não. Será que a equipe do Glass ainda tem que percorrer uma enorme distância para tornar a experiência no que deveria ser cada vez que você usá-lo? Definitivamente.

Mas eu saí convencido de que isso não é apenas uma das estranhas fantasias do Google. Quanto mais eu usava o Glass, mais sentido fazia para mim, mais eu queria. Se a equipe tivesse me dito que eu poderia me inscrever para ter meus óculos atuais implantados com a tecnologia do Glass, eu teria colocado a caneta no papel (e dinheiro em suas mãos) ali mesmo. E é esse tipo de coisa que vai fazer a diferença entre este ser um dispositivo de nicho para geeks e um produto que todo mundo quer experimentar.

Depois de algumas horas com o Glass, eu decidi que a questão não é mais “se”, mas “quando?”.

Você pode acompanhar a experiência de Topolsky no vídeo abaixo (em inglês), e tirar suas próprias conclusões sobre o aparelho.

E todo o resto?

É claro que não é possível falar tudo sobre o aparelho em apenas um post sem torná-lo extenso e cansativo demais. Infelizmente não temos um para testar e relatar com detalhes a experiência de uso, mas a ideia é continuar uma série de artigos sobre o Glass, analisando tudo que já se sabe sobre ele, suas atualizações, que rumos a tecnologia está tomando e como isso pode vir a ser útil (ou não) em nossas vidas. Definitivamente, o futuro está chegando. Estamos preparados?

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